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Da ideia à ação: aprendendo com os erros e empreendendo nos acertos

Como superar os desafios financeiros e manter sua empresa longe de problemas no primeiro ano de negócio

11.05.21 - 04H07 Por camillalima
A loja, localizada no Cocó, conta hoje com uma lista de 110 produtos disponíveis (Foto: Acervo pessoal)

Era uma vez um pequeno agricultor que comia do que plantava. Os ovos do café da manhã também vinham da sua pequena produção de galinhas. O cheirinho de café fresco, os insumos colhidos direto da horta, o leite mugido que, além de pingado no café, também servia de matéria-prima para a produção do doce de leite, tão conhecido por todos da região. A cena, típica de uma pequena cidade interiorana, sempre se desenhou no imaginário de Teófilo Neto, 23, publicitário de formação, nascido e criado na capital, mas que sempre sentiu afinidade por esse ar da fazenda.

Tanto, que em abril do ano passado, decidiu que iria empreender no segmento, oferecendo acesso facilitado a esses produtos vindos direto das mãos de quem produz. Pegou todo o capital que dispunha e investiu tudo em queijo e ovos, produtos que começaram a vender em casa. O diferencial seria levar esses produtos direto na casa do cliente. Das 5h às 8h da manhã, antes de entrar no trabalho, Teófilo passou a se dedicar às entregas. Ao final do expediente formal, voltava ao trabalho inicial de delivery de seus insumos. O sonho de empreender, o Teófilo não sonhou sozinho, dividia as alegrias de cada queijo e ovo vendido com a esposa, Marjory Ramos, 27. O sucesso foi tanto, que 3 meses depois estavam atrás de um ponto onde pudessem fixar a Mumu e Fifi, lojinha de insumos naturais que abriram em junho de 2020 e que hoje dispõe de mais de 100 produtos, que vão do queijo artesanal ao doce de leite, trazendo a riqueza ímpar do sertão cearense para mais pertinho da capital. “A galera da minha idade não sabe o que faz um boiadeiro, como faz um queijo coalho, como ordenha uma vaca e eu sempre achei isso legal. Minha vontade era sair pelo interior procurando as coisas legais que o pessoal vende pra vender na minha loja e levar essa cultura”, conta. 

Mumu e Fifi emprega 3 funcionários e trabalha com cerca de 20 fornecedores (Foto: Acervo pessoal)

Mas desde que decidiram por materializar um ponto fixo da marca, os jovens empreendedores descobriram logo cedo os desafios financeiros que cercam a vida de quem decide ter seu próprio negócio. O dinheiro arrecadado com as vendas em casa só cobriu os custos da loja: “depois a gente teve que se rebolar. A gente mesmo que ficava na loja de 7h às 7h, todos os dias. A gente teve que reduzir todos os nossos custos”, lembra. Começaram a empresa como Microempreendedor Individual, contrataram uma operadora de cartão de crédito e desde o início o empreendimento se mostrou bastante rentável. Ainda inexperientes, porém, não se atentaram para o momento que ultrapassaram o teto de MEI: “a gente foi faturando, faturando até que um dia chegou uma carta da Sefaz informando que a gente tinha excedido, em mais de 20%, o que pode faturar um MEI”. 

Resultado, os sócios estão tendo que retroagir até o primeiro mês do exercício e pagar tudo como ME, desembolsando algo em torno de R$14 mil para ficar quite com a Secretaria da Fazenda. Depois do susto inicial, agora Teófilo não esquece mais o ensinamento e já manda a dica para outros empreendedores: “Quando você é MEI precisa estar atento ao quanto você está faturando. Quando você perceber que passou do limite, você já deve transicionar, porque se não a Sefaz vai perceber e vai lhe fazer retroagir, como se fosse uma punição. Eu não tive esse cuidado e estou pagando por isso”, adverte. 

Mas Teófilo não está sozinho nessa, o economista Ricardo Coimbra enumera alguns dos erros mais comuns que empreendedores iniciantes cometem. Falta de conhecimento sobre gestão, não ter um plano de negócios que possa dar balizamento ao negócio, não priorizar a organização contábil financeira e confundir as finanças da empresa com as finanças pessoais, não mantendo a efetividade de um fluxo de caixa, estão entre os principais. O economista ensina ainda como fazer o controle das finanças para evitar sustos no meio do caminho: “Um dos instrumentos mais utilizados para o controle das finanças é o fluxo de caixa. Ele deve pensar em estruturar o seu fluxo de caixa em relação as suas receitas e em relação as suas despesas. Então é estruturar, ter o controle de todas as informações dentro de uma planilha eletrônica pra que ele possa fazer o acompanhamento diário, semanal, mensal de tudo aquilo que ele tem a receber e tudo aquilo que ele tem a pagar”. 

Para o consultor e especialista em educação financeira, Randal Mesquita, os desafios começam antes de abrir, pois alguns temas precisam ser debatidos como ter ou não um sócio, a origem dos recursos necessários para o negócio; onde será sediada a empresa; definição de produto; definição de público-alvo e gestão financeira do dia a dia. “Essas decisões são importantíssimas e exigem uma maturidade que, eventualmente, o empreendedor ainda não tem. Nesse sentido recomendo a utilização de uma ferramenta de planejamento e gestão para organizar as ideias antes de sair gastando. O Business Model Canvas é uma opção super interessante, diferente do tradicional e cansativo plano de negócios, o Canvas vai estimular o empreendedor a refletir sobre essas questões citadas”, ensina o especialista. 

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