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Empreendendo alternativas

Quando a necessidade se junta a uma ideia e nasce um novo negócio

20.04.21 - 01H03 Por camillalima
De acordo com o Sebrae, um terço das formalizações é de pessoas que começaram a empreender por necessidade. Foto: Getty Images

Bel Luara, 31, sempre gostou dos trabalhos manuais. Nutricionista de formação e estudante de designer de interiores, Bel hoje dedica boa parte de seu dia a trabalhar a porcelana fria, material escolhido para dar forma aos brincos, que desde o ano passado tornou-se sua principal fonte de renda com sua Incrível Teçá. ”Financeiramente é o que tem me salvado”, conta.

Bel Luara, dona da Teçá, que significa olhos atentos (Foto: Acervo Pessoal)

Há dez anos na área da nutrição, Bel trabalhava diretamente desenvolvendo cardápios para restaurantes. Com o isolamento social rígido e o fechamento dos espaços físicos desses estabelecimentos, ela foi perdendo seus clientes. Foi quando começou a levar mais a sério o talento de suas mãos e das peças que desenvolvia, até então sem muito compromisso. Pesquisou primeiro marcas que lhe enchessem os olhos como consumidora: “sempre gostei dessas formas mais simples, com uma coisa mais minimalista, com uma cor só, que não tivesse tantos detalhes e eram coisas que eu não achava aqui. Normalmente eu procurava, via algumas marcas que tinham pelo Brasil, mas aí às vezes o frete era o valor da peça”. Foi nessas pesquisas que ela descobriu a porcelana fria. Mas não só, descobriu também uma necessidade que era sua, mas que atendia, certamente, a outras pessoas: “eu sabia que tinha mercado, que tinha gente interessada”. Com cores vibrantes e formatos divertidos, os acessórios da marca são um convite pra aparecer mais bonita nas inúmeras ocasiões online a que somos submetidos em tempos de isolamento social.

Assim como a Bel, é mais ou menos por esse caminho que um número cada vez maior de pessoas vão empreendendo alternativas. “Boa parte dos pequenos negócios inicia quando o futuro empreendedor percebe que há uma necessidade no mercado, alguma coisa que não está sendo feita ou não está sendo feita de forma adequada. No exemplo, a nutricionista ficou com tempo disponível e percebeu uma oportunidade. Brincos, no caso. O ideal é que ela esteja se enveredando nesta seara por perceber que pode fazer brincos mais baratos, ou em um modelo mais bonito, ou entregar para pessoas que não poderiam acessar de outra forma”, destaca o articulador do Sebrae, Jonny Oliveira. Segundo o especialista, negócios com essas características surgem em paralelo ao ofício principal e inicialmente têm caráter secundário, com o empreendedor utilizando suas horas vagas para isso: “ O destino desse negócio vai depender do grau de dedicação que o empreendedor fornecer para ele e também dos resultados que forem obtidos. Se houver sucesso, o negócio secundário pode expandir, envolvendo mais pessoas, ou até mesmo se tornar o negócio principal”, revela.

O empreendedorismo tem sido cada vez mais uma alternativa em meio à crise. Segundo o articulista do Sebrae, “são momentos em que as pessoas apresentam mais ou novas necessidades. Cabe ao empreendedor perceber esses nichos e como pode se inserir para contribuir no atendimento destas e/ou outras demandas”. Não à toa, o Brasil fechou 2020 com o maior número de empreendedores de sua história. Dados do Portal do Empreendedor de 2020 mostram que, em março, o país contava com 9.818.993 MEI’s registrados. Em dezembro de 2020, as estatísticas apontam 11.316.853 de MEI’s registrados, num crescimento de 13,23%. No total, foram 1,49 milhão de novas formalizações entre março e dezembro de 2020. Somado às mais de 7,5 milhões de micro e pequenas empresas, esse setor representa 99% dos negócios e 30% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos) do país.

“O brasileiro possui uma visão empreendedora bem acima da média, o que faz com que oportunidades sejam visualizadas com mais facilidade. E ainda há espaço para muitos novos negócios, desde que possuam qualidade e diferenciais, itens estes que são a chave do sucesso”,pontua Jonny

E ainda há espaço para muitos novos negócios, desde que possuam qualidade e diferenciais, itens estes que são a chave do sucesso”, pontua Jonny, que traz ainda dicas para quem está se aventurando ou pretende iniciar sua jornada no empreendedorismo:

1 – Estude o mercado antes de iniciar. Quem seriam seus clientes? De quem eles compram hoje? Por quê? O que você poderia fazer de diferente da concorrência? Mais barato / mais rápido / melhor

2 – Teste seu produto/ serviço de forma barata. Antes de gastar muito dinheiro na ideia, teste. Faça os testes mais baratos possíveis. Por exemplo, se quero fazer bolo, não vou comprar um forno industrial agora. Vou fazer no fogão de casa e ver a receptividade do mercado. Se der certo, posso comprar um maior no futuro

3 – Acompanhe sempre os custos e receitas. É preciso entender se o negócio dá retorno e não misturar seu dinheiro pessoal com o do negócio.

4 – Use do poder da internet! Redes sociais e aplicativos de mensagem, entre outras coisas, são canais que não podem ser desprezados

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